quinta-feira, 18 de maio de 2017

Papo Jovem.

A importância da religião na adolescência.


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Uma característica marcante dessa fase é a necessidade do indivíduo de fazer parte de um grupo

Adolescência é o nome dado à etapa do desenvolvimento humano que se situa entre a infância e a fase adulta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essa fase ocorre entre 10 e 19 anos de idade, e é um período marcado por diversas transformações corporais, hormonais e comportamentais.
A puberdade marca o início da adolescência, e é caracterizada por mudanças hormonais no corpo dos meninos e meninas e consequentes transformações físicas e biológicas. Durante a puberdade, surgem nos meninos os pelos, inicia-se o engrossamento da voz, o crescimento e o desenvolvimento muscular e dos órgãos genitais; nas meninas, as mudanças mais importantes são o começo da menstruação e o desenvolvimento das mamas e dos órgãos genitais.
Além das mudanças corporais, os hormônios e as transformações da autoimagem influenciam no comportamento e no humor dos adolescentes. Uma característica marcante dessa fase é a necessidade do indivíduo de fazer parte de um grupo: as amizades e a socialização são importantíssimas e muitos dos problemas e angústias que eles sofrem, decorre dessa necessidade de se sentir parte de um grupo.
Para fazer parte de um grupo, no entanto, o adolescente passa a escolher um modelo específico de roupa, a ouvir um estilo musical (por ex.: rock ou pop), e, para desespero de alguns pais, decide fazer tatuagens. Além disso, não é incomum que os adolescentes experimentem álcool e drogas ilícitas a fim de parecerem mais “legais” aos amigos.
Consequentemente, nessa necessidade de socialização, o contato com pais e familiares, aos poucos, vai sendo substituído por pessoas externas, porém, apesar desse distanciamento, a família ainda tem papel importante no processo de formação da personalidade. Por isso, é necessário que um canal de diálogo esteja sempre aberto entre o adolescente e os pais. Vale ressaltar que valores familiares ensinados desde a infância influenciarão diretamente na construção da identidade do rapaz ou da moça e isso irá refletir na sua personalidade futura, nas suas escolhas e tomadas de decisões.
Dentre os valores familiares, devem-se incluir fundamentos religiosos. Estudos demonstram que os adolescentes com maior religiosidade apresentam comportamentos mais saudáveis, além de melhores índices de saúde física e mental, em comparação com aqueles que não são religiosos. Em 2006, o Journal of Adolescent Health publicou um artigo avaliando o resultado de diversas pesquisas que estudaram o tema e os dados encontrados foram surpreendentes.
No âmbito comportamental, os de maiores vínculos religiosos se expuseram a menores situações de risco, como, por exemplo, menores índices de consumo de álcool e de uso de maconha. No campo da saúde mental, os resultados se mostraram ainda mais interessantes: a religião, ao fornecer uma compreensão e significado na vida dos adolescentes, estava diretamente associada a níveis mais baixos de sintomas depressivos, além de estar conexa com menor risco de suicídio.
Esse mesmo resultado também se observou quando o adolescente considerava a si mesmo como religiosos e fazia parte ou obtinha apoio de sua comunidade religiosa. No âmbito da saúde física, os estudos demonstraram vários aspectos positivos da religiosidade, nos casos de doenças crônicas que exigem adesão ao tratamento, como, por exemplo, a asma os adolescentes de fé, atendiam às recomendações médicas com maior precisão e, com isso, obtinham melhores controle das doenças.
Nos casos de moléstias graves, como o câncer, a religiosidade se mostrou um instrumento auxiliar no enfrentamento da doença, sendo que a religião serviu para “dar sentido” a uma situação difícil ou para fornecer “enfrentamento construtivo” à doença.
Dessa forma podemos concluir que os pais, devem ter a certeza de que estão corretos em oferecer aos filhos a educação religiosa. Nunca devem acreditar que é melhor esperar eles crescerem para aí “decidirem por si” a religião a seguir. Ao privar a criança da espiritualidade, perde-se a oportunidade única de se plantar fundamentos e valores que farão muita diferença na qualidade de vida dos filhos.
Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo; Igor Precinoti é médico, pós-graduado em Medicina Intensiva (UTI), especialista em Infectologia e doutorando em Clínica Médica pela USP.


Fonte: comshalom.org

terça-feira, 28 de março de 2017

Fé e Ciência.




Não há ciência moderna sem o Cristianismo. Veja porque!


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Roger Bacon


 Por Sarah Salviander

Quantas vezes é que ouvimos dizer que o Cristianismo não é compatível com a ciência?
Da próxima vez que alguém disser isso, mostrem-lhe a lista de Cristãos dentro do mundo da ciência e da tecnologia, e perguntem-lhe como foi possível que tantos Cristãos tenham feito tantas contribuições para a ciência e para a tecnologia, apesar dessa incompatibilidade:
John Philoponus

Bede the Venerable

Rabanus Maurus
Leo the Mathematician
Hunayn ibn Ishaq
Pope Sylvester II
Hermann of Reichenau
Hugh of Saint Victor
William of Conches
Hildegard of Bingen
Robert Grosseteste
Pope John XXI
Albertus Magnus
Roger Bacon
Theodoric of Freiberg
Thomas Bradwardine
William of Ockham
Jean Buridan
Nicephorus Gregoras
Nicole Oresme
Nicholas of Cusa
Otto Brunfels
Nicolaus Copernicus
Michael Servetus
Michael Stifel
William Turner
Ignazio Danti
Giordano Bruno
Bartholomaeus Pitiscus
John Napier
Johannes Kepler
Galileo Galilei
Laurentius Gothus
Marin Mersenne
René Descartes
Pierre Gassendi
Anton Maria of Rheita
Blaise Pascal
Isaac Barrow
Juan Lobkowitz
Seth Ward
Robert Boyle
John Wallis
John Ray
Gottfried Leibniz
Isaac Newton
Colin Maclaurin
Stephen Hales
Thomas Bayes
Firmin Abauzit
Emanuel Swedenborg
Carolus Linnaeus
Leonhard Euler
Maria Gaetana Agnesi
Joseph Priestley
Isaac Milner
Samuel Vince
Linthus Gregory
Bernhard Bolzano
William Buckland
Agustin-Louis Cauchy
Lars Levi Læstadius
George Boole
Edward Hitchcock
William Whewell
Michael Faraday
Charles Babbage
Adam Sedgwick
Temple Chevallier
John Bachman
Robert Main
James Clerk Maxwell
Andrew Pritchard
Arnold Henry Guyot
Gregor Mendel
Philip Henry Gosse
Asa Gray
Francesco Faà di Bruno
Julian Tenison Woods
James Prescott Joule
Heinrich Hertz
James Dwight Dana
Louis Pasteur
George Jackson Mivart
Armand David
George Stokes
George Salmon
Henry Baker Tristram
Lord Kelvin
Pierre Duhem
Georg Cantor
Henrietta Swan Leavitt
Dmitri Egorov
Mihajlo Idvorski Pupin
Pavel Florensky
Agnes Giberne
J. J. Thomson *
John Ambrose Fleming
Max Planck *
Edward Arthur Milne
Robert Millikan
Charles Stine
E. T. Whittaker
Arthur Compton *
Ronald Fisher
Georges Lemaître
Otto Hahn *
David Lack
Charles Coulson
George R. Price
Theodosius Dobzhansky
Werner Heisenberg
Michael Polanyi
Henry Eyring
Sewall Wright
William G. Pollard
Aldert van der Ziel
Mary Celine Fasenmyer
John Eccles *
Carlos Chagas Filho
Sir Robert Boyd
Richard Smalley *
Mariano Artigas
Arthur Peacocke
C. F. von Weizsäcker
Stanley Jaki
Allan Sandage
Charles Hard Townes *
Ian Barbour
Freeman Dyson
Richard H. Bube
Antonino Zichichi
John Polkinghorne
Owen Gingerich
John T. Houghton
Russell Stannard
R. J. Berry
Gerhard Ertl *
Michal Heller
Robert Griffiths
Ghilean Prance
Donald Knuth
George Frances Rayner Ellis
Colin Humphreys
John Suppe
Eric Priest
Christopher Isham
Henry F. Schaefer, III
Joel Primack
Robert T. Bakker
Joan Roughgarden
William D. Philips *
Kenneth R. Miller
Francis Collins
Noella Marcillino
Simon Conway Morris
John D. Barrow
Denis Alexander
Don Page
Stephen Barr
Brian Kobilka *
Karl W. Giberson
Martin Nowak
John Lennox
Jennifer Wiseman
Ard Louis
Larry Wall
Justin L. Barrett

(Os nomes seguidos por um * são aqueles que receberam um prémio Nobel)
Não se esqueçam de salientar que foi Roger Bacon, um monge Franciscano, quem avançou com o método científico, e, desde logo, foi o primeiro cientista moderno. Se por acaso o crítico tiver alguma resposta a isto, é bem provável que essa resposta nada mais seja que um agitar de mãos, seguida da alegação de que a fé Cristã destes cientistas de maneira nenhuma está relacionada com o seu sucesso científico.
Claro que isto está bem longe da verdade, e embora não seja nada de surpreendente que um critico do Cristianismo seja ignorante tanto da lista de cima, como do papel do Cristanismo no desenvolvimento da ciência moderna, é bastante surpreendente – pelo menos para mim – que os Cristãos também estejam em larga parte ignorantes em relação a estes factos.
Quando eu mostrei pela primeira vez esta lista a uma audiência Cristã durante uma das minhas palestras, sentiu-se um sobressalto audível. A maior parte dos Cristãos não só não está ciente de que alegação duma incompatibilidade é falsa, como também não estão cientes de que a longa lista de Cristãos do mundo da ciência e da tecnologia é um testemunho para o fato da ciência moderna ser um produto direto da fé Cristã.
Volto a afirmar: não só a ciência é totalmente compatível com o Cristianismo, como é muito pouco provável que viéssemos a ter a ciência moderna sem o Cristianismo. Poderiam-se escrever volumes inteiros em relação a este tópico, mas a alegação depende essencialmente de duas crenças. A ciência moderna nunca poderia existir sem:
1. A noção contra-intuitiva do tempo linear, algo que foi inferido a partir da Bíblia por parte de Santo Agostinho durante o 4º século.
2. A crença numa criação deliberada e cognoscível por parte dum Ser Racional (gênesis1, Salmo 19, Provérbios 8:22-24, Romanos 1:20, e muitas outras passagens).
C. S. Lewis, na sua crítica à racionalidade ateísta com o nome “The Case for Christianity”, explicou as coisas desta maneira:
Suponhamos que não há uma inteligência e uma mente criativa por trás do universo. Se isto é verdade, então ninguém criou o meu cérebro com o propósito de pensar. O que acontece é que quando os átomos dentro do meu crânio se organizam duma certa forma (por motivos físicos ou químicos), isso, como consequência, dá-me uma sensação que eu chamo de “pensamento”.
Mas se isto é assim, como é que eu posso confiar na veracidade dos meus próprios pensamentos? É como eu agitar um jarro e leite e esperar que o mesmo, depois de derramado no chão, desenhe uma mapa de Londres. A menos que eu acredite em Deus, não posso acreditar no pensamento.
Usando termos atuais, a isto dá-se o nome de “cérebro de Boltzmann”, que diz de modo efetivo que, na ausência duma força criativa consciente, é estatisticamente muito mais provável que nós nada mais sejamos que um cérebro dentro duma cuba, a alucinar estas experiências, do que habitarmos de fato num universo altamente organizado.
Dito de outra forma, tu tens que ter fé de que as nossas percepções e os nossos pensamentos estão a refletir de forma correta a realidade que opera segundo regras não-arbitrárias e cognoscíveis. Isto é-nos garantido com o Cristianismo, mas não há motivo para não acreditar no contrario se por acaso não se acredita numa força consciente criativa e racional por trás do universo.
Embora possa ser alegado, em princípio, que o ponto que se segue não é absolutamente necessário para o desenvolvimento da ciência moderna, ele desempenhou, mesmo assim, um papel importante:
3. Crença de que temos que testar todas as coisas (1 Tess 5:21), e que temos que estudar o mundo natural para que possamos entender melhor o caráter e o propósito de Deus (Salmo 19, Romanos 1:20).
Esta ideia definiu o cientista do século 17, e em muitos casos, os cientistas eram também teólogos. Pessoalmente, acho muito difícil que a ciência moderna pudesse ter emergido sem este terceiro princípio, mas vou guardar isso para outro post.
Uma das grandes conquistas do ateísmo moderno foi o de divorciar os Cristãos do seu legado científico. A ciência moderna é uma das maiores façanhas da civilização Ocidental, construída sobre o fundamento da fé, da crença e do propósito Cristão. Mas quantos Cristãos é que estão cientes disto?
Em vez que colocarem em causa a fonte, muitos Cristãos aceitaram passivamente a mentira de que o Cristianismo e a ciência são incompatíveis. Este é o erro clássico de aceitar o enquadramento do adversário. Os Cristãos têm que rejeitar este enquadramento e educarem-se a eles mesmos em relação à história da sua fé e o papel colossal que ela desempenhou no desenvolvimento da ciência moderna.
Fonte: http://bit.ly/2fqtDuq

Fé e Ciência.

Stephen W. Hawking, físico ateu critico da crença em Deus é convidado pelo vaticano para conferência.

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Em uma conferência pronunciada no Vaticano, durante o encontro sobre “Ciência e Sustentabilidade”, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências, Stephen W. Hawking, físico teórico e professor da Universidade de Cambridge, defendeu o legado científico do padre belga e professor de Física da Universidade Católica de Lovaina, Georges Lemaitre.
Para Hawking, Lemaitre é “o pai do Big Bang”.
A teoria do Big Bang propõe que o universo se encontrava inicialmente em um estado de grande densidade e após uma grande explosão teria entrado em um processo de expansão e esfriamento no qual nos encontraríamos atualmente.
Tradicionalmente, considerou que o pai desta teoria é o físico e astrônomo soviético de nacionalidade estadunidense George Gamow, cujos estudos e pesquisas dão contribuições essenciais para a explicação das origens do universo e da consolidação da teoria do Big Bang.
No entanto, Hawking precisou em sua palestra que “Georges Lemaitre foi o primeiro a propor um modelo no qual o universo teve um começo infinitamente denso. Assim, ele e não George Gamow é o pai do Big Bang”.
Em sua intervenção, o professor Hawking expôs diferentes conceitos e teorias relacionados à origem e natureza do universo, como as ondas gravitacionais, o multiverso ou as micro-ondas procedentes dos instantes anteriores ao Big Bang.
“A evidência científica para confirmar a ideia de que o universo estava, inicialmente, em um estado muito denso, surgiu em outubro de 1965, com a descoberta de um frágil fundo de micro-ondas em todo o espaço. A única explicação possível para este fundo de micro-ondas é que seja radiação procedente de um universo primigênio muito denso e quente. À medida que o universo se expandia, a radiação ia se esfriando, até que ficou o frágil remanescente que podemos detectar hoje”, disse.
Hawking, que se declarou publicamente ateu, viu-se envolvido em inúmeras polêmicas ao negar a existência de Deus e por argumentar que não é necessário recorrer a Deus para explicar a origem da existência.
Em declarações feitas em junho de 2015 ao jornal espanhol El Mundo, defendeu que “no passado, antes de entendermos a ciência, era lógico acreditar que Deus criou o Universo. Mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente”. “Não existe nenhum Deus. Sou ateu. A religião acredita nos milagres, mas estes não são compatíveis com a ciência”, destacou.
Apesar de suas posições contra a existência de Deus, o professor da Universidade de Cambridge já esteve no Vaticano em 2008 para participar de um congresso semelhante sobre a origem do universo e a evolução das espécies.
Fonte:
A reportagem é de Miguel Pérez Pichel e publicada por ACI Prensa, 26-11-2016. A tradução é de André Langer.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Fé e Ciência

* Analisando as bases do cristianismo é fácil perceber que ele é uma religião diferente das outras pois, além da fé, é baseado na racionalidade.

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Em um pronunciamento na catedral da cidade alemã de Colônia, em 15 de novembro de 1980, o papa João Paulo II constatou que a relação entre a Ciência e a Igreja era muito mais harmoniosa na prática do que na parecia na teoria. Na ocasião o papa se dirigia a estudantes e professores universitários pela recordação dos 700 anos de falecimento de Santo Alberto Magno. O santo alemão é doutor da Igreja e padroeiro dos cientistas. Foi frade dominicano e seu intelecto abrangeu todas as áreas de conhecimento da época, desde a teologia, a filosofia, até as ciências naturais. Apesar de não ter havido muitos outros como ele na abrangência de conhecimentos investigados, há inúmeros outros que dedicaram suas vidas à fé e à ciência. Foi em relação a estas pessoas que se referiu o papa.
De fato, analisando as bases do cristianismo é fácil perceber que ele é uma religião diferente das outras pois, além da fé, é baseado na racionalidade. Deus se manifesta e é o Logos encarnado que se comunica com o homem. Percebendo que o universo pode ser compreendido intelectualmente, ou seja, é inteligível, o homem se lança neste empreendimento magnífico chamado ciência. Não só as ciências naturais, mas todas elas, as humanas, as filosóficas e, por que não, a teologia. Ou seja, o cristianismo dá bases para que o homem possa ter a pretensão de compreender não só o mundo, mas o próprio Deus. Claro que nossa capacidade é limitada, mas a vontade parece que não. Se o cristianismo pode ser identificado como uma religião racional, a relação entre a Igreja e a Ciência deve ser harmoniosa. Evidentemente que houveram alguns momentos de atrito, mas foram mínimos e via de regra hoje muito mal compreendidos. Na sua última coluna o Marcio clarificou alguns mitos sobre Galileu.
Ao longo da história sacerdotes, religiosos e religiosas sempre foram pessoas muito instruídas.
Grande parte desta erudição se deve aos estudos teológicos que faziam parte da formação e da vida destas pessoas. Evidentemente que pessoas instruídas tendem a ter os horizontes intelectuais abertos para outras áreas. Creio que esta seja a grande razão de terem surgido grandes cientistas entre muitas pessoas da Igreja. Copérnico, que propôs que a Terra girava em torno do Sol, era cônego. O descobridor do primeiro asteroide, Ceres, foi o padre Giuseppe Piazzi. Mendel descobriu as leis da genética no seu mosteiro na República Checa. E para citar só os mais famosos ainda é preciso lembrar do padre Lemaître que propôs a teoria do Big Bang e de Nicolau Steno, que foi bispo e é considerado o pai da Geologia moderna. Essa lista nada modesta só inclui sacerdotes cujos trabalhos científicos causaram grande impacto. Há muitos outros ainda que não foram citados. Uma lista como esta não quer dizer que a Igreja é um celeiro de vocações científicas, mas sim que na prática as relações entre a Igreja e a Ciência são muito frutíferas. Como afirmou o papa João Paulo II há 30 anos em Colônia.
Outro aspecto prático destas boas relações entre a Igreja e a Ciência são famosas Universidades criadas e/ou mantidas pela Igreja, onde a ciência é livre para ser desenvolvida. Além das Universidades, a Igreja ainda mantém institutos de pesquisa, como o Observatório Astronômico do Vaticano, do qual falei um pouco no último artigo. A Specola Vaticana, como é conhecido o Observatório, é mantido pela Santa Sé e por doações e gerenciado por padres jesuítas que também são astrônomos. Além do Observatório Astronômico a Santa Sé mantém uma das mais antigas academias de ciência do mundo. A Pontifícia Academia de Ciências é constituída por cientistas de renome mundial, muitos deles ganhadores do prêmio Nobel. Juntos eles discutem temas importantes referentes às grandes questões científicas mundiais, especialmente as que dizem respeito ao ser humano e ao futuro do planeta. Grande parte do trabalho desenvolvido pela Academia pode ser encontrado no site do vaticano e lido gratuitamente.
Mas muito embora a Igreja valorize a Ciência como um grande e importante empreendimento humano, ela não cansa de alertar para os perigos que a Ciência pode trazer se usada da maneira errada. Os riscos são vários, mas três se destacam e mereceram muita atenção nos discursos papais mais recentes, inclusive na última encíclica do papa Bento XVI, Caritas in Veritate. Em primeiro lugar está o risco do conhecimento científico ser usado por grupos de poder para dominar os outros. Já vimos isso com as bombas atômicas ou então com o monopólio de conhecimentos, como algumas patentes de remédios. Com o desenvolvimento tecnológico cada vez mais acelerado o risco do conhecimento ser usado efetivamente como arma é muito grande. É preciso que fiquemos todos muito alertas e que não aceitemos este tipo de uso indevido da ciência, que deve sempre promover o bem de todos.
Um segundo risco alertado pelo papa envolve as questões éticas relativas ao valor do ser humano. Como exemplo mais dramático temos as células tronco embrionárias e a eugenética, que é a manipulação genética do ser humano para criar pessoas “perfeitas”. Em seus discursos o papa tem lembrado que cada ser humano é uma criação única e que não faz sentido valorizar as pessoas só por meia dúzia de características (como beleza, força, inteligência) pois somos muito mais complexos que isso. A manipulação da vida humana em laboratório precisa respeitar as dignidade de cada ser humano e este é um limite claro para a Ciência. Definitivamente ela não é onipotente!
O terceiro risco que corremos com o desenvolvimento errado da Ciência é um risco moral. Frente ao sucesso das técnicas científicas muitos tendem a tornar absoluto o poder da Ciência crendo inclusive que ela é capaz de dar respostas às indagações humanas sobre o sentido da nossa existência. Estas visões são bem representadas hoje pelo cientificismo e pelo declínio moral de nossa época. O papa sempre alerta para falsidade do cientificismo, seu fracasso como princípio norteador da moral e o perigo de levar à intolerância religiosa.
Para encerrar quero dizer que vejo horizontes muito promissores para as relações entre a Ciência e a Igreja. Certamente há muitos pontos que podem ser delicados, como os três que citei acima, mas penso que a medida que a humanidade for conhecendo mais a Ciência, vai entender melhor seus limites e ver como, através da história, a Igreja sempre colaborou para o desenvolvimento científico. Sem que no entanto isto seja uma meta sua pois, como dizia o padre Lemaître, “à Igreja bastam a cruz e o evangelho”.

Fonte: Alexandre Zabot