quinta-feira, 14 de julho de 2016

Fé e Razão

* ” A razão pela qual o Vaticano tem hoje o seu próprio observatório astronômico é mostrar ao mundo que a Igreja promove a ciência, e não o contrário.”

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Ele foi o primeiro expoente de uma Igreja a receber, há dois anos, a Medalha Carl Sagan, o prestigiado prêmio para a divulgação científica concedido anualmente pela Sociedade Astronômica Americana, em memória de um dos mais famosos astrônomos do século XX, mas o irmão Guy Consolmagno, 54 anos, jesuíta, respirou a paixão pela comunicação desde pequeno, quando vivia com a sua família em Detroit, Michigan, uma paixão que ainda o acompanha no seu escritório no Observatório do Vaticano, do qual é diretor desde 2015.
Filho de um jornalista, Consolmagno entrou na Companhia de Jesus aos 36 anos, justamente no momento em que a sua carreira de astrônomo tinha decolado. Estudos em ciências planetárias no MIT de Boston e PhD na Arizona University: havia o suficiente para que se abrissem várias oportunidades ao brilhante estudioso, mas os desígnios imperscrutáveis de uma vocação religiosa o levaram primeiro a pedir um ano sabático com o Corpo de Paz na África e, depois, no retorno, a escolha definitiva com os jesuítas.

“Quando você se mudou para o Observatório do Vaticano, você sentiu alguma ironia por parte dos seus colegas seculares?”, perguntou-lhe Summer Ash, diretora do departamento de astronomia da Columbia University, em Nova York.
“Na verdade, não. Na realidade, a reação mais comum foi a pergunta: ‘Você vai à igreja? Eu também, sabe, mas não conte a ninguém’. Com efeito, eu poderia listar algumas das figuras mais importantes no campo da astronomia que me falaram da sua fé. Eu diria que o percentual de pessoas que são frequentadores de uma igreja corresponde mais à cultura e à educação da qual provêm do que à sua profissão.”

Na entrevista, publicada no site do Smithsonian, o maior órgão museal e educacional dos Estados Unidos, Consolmagno explica de bom grado os seus estudos e a relação fé-ciência, também para desmascarar muitos preconceitos enraizados, como, por exemplo, a suposta incompatibilidade entre ser cientista e crer em Deus.

“Em última análise, não se trata apenas de fazer ciência, mas do porquê fazemos ciência. Quando eu tinha 30 anos, eu me perguntava: ‘Por que fazemos isso? Devemos fazer isso por algo maior do que nós mesmos e maior do que a nossa carreira ou é apenas um trabalho como tantos outros?”
Para o jesuíta, é de fundamental importância não ter medo de falar sobre as próprias convicções com os colegas de trabalho: não para fazer proselitismo, mas para demonstrar que é possível ser cientista ou técnico e, ao mesmo tempo, crer em Deus e ir à igreja aos domingos. E, ao mesmo tempo, mesmo dentro da própria Igreja, ganhar visibilidade por causa do próprio trabalho: precisamente por sermos cristãos, amamos a ciência e a pesquisa, ambos dons de Deus.

“A Teoria do Big Bang, de fato, não é um modelo cosmológico de matriz ateia, ao contrário. Eu costumo lembrar as pessoas que o Big Bang foi inicialmente hipotetizado por um padre católico belga – Georges Lemaître –, e eu gosto de dizer isso. Muitos dos grandes heróis da ciência foram pessoas profundamente religiosas. De todas as fés, não apenas de uma. James Clerk Maxwell (o físico escocês que elaborou a primeira teoria do eletromagnetismo), durante anos, foi o meu herói, e ele era um homem profundamente religioso, de fé anglicana. Quem imaginaria isso? Nunca se falou disso na época, simplesmente porque ninguém precisava falar a respeito. A razão pela qual o Vaticano tem hoje o seu próprio observatório é mostrar ao mundo que a Igreja promove a ciência, e não o contrário.”

O Ir. Consolmagno – um dos mais qualificados especialistas do mundo em meteoritos, as pedras que caem do céu – promoveu, dentre outras coisas, os Astronomia Workshops: padres, diáconos e educadores paroquiais são hospedados durante uma semana no Centro de Pesquisa de Tucson, no Arizona (o “Vatican Observatoty Research Group” fundado em 1981 como sede independente do Observatório de Gastelgandolfo) e podem dialogar com os astrônomos nos bastidores. Essas pessoas, depois, voltam para as suas paróquias ou para casa e relatam a sua experiência.

“A esperança – afirma o jesuíta – é que, através dessas pessoas, as pessoas aprendam que a astronomia é uma coisa maravilhosa. E que o Vaticano promove tudo isso. Porque não é verdade que devemos ser contrários à ciência para sermos bons cristãos, muito pelo contrário. E esperamos que isso tenha um efeito multiplicador. Veremos.”

“Há uma razão mais profunda – declarara ele no momento da sua nomeação como diretor, há dois anos –, o universo físico é o modo que Deus tem para se comunicar conosco. Deus se revela nas coisas que criou, e nós somos chamados a estudar as coisas que Ele criou, a fim de chegar a conhecê-Lo melhor. Pessoalmente, quando eu estudo o universo físico e o modo pelo qual ele funciona, eu sinto uma sensação de alegria, a mesma alegria que eu sinto na oração: a presença de Deus.”

Fonte: Vatican Insider.

Fé e Ciência

* Mais de 7.000! Como é reconhecido um milagre de cura em Lourdes?

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fé e Ciência

* Carta em que Einstein diz que Deus criou mundo irá a leilão.



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O texto foi escrito em 1925 destinado ao italiano Giovanni Giorgi, uma autoridade da época em eletromagnetismo
Carta em que Einstein diz que Deus criou mundo irá a leilão
A casa de leilões RR Auction, nos Estados Unidos, vai leiloar uma carta escrita por Albert Einstein onde ele afirma que “Deus criou o mundo com muita elegância e inteligência”.
A carta foi escrita em 12 de julho de 1925 para o italiano Giovanni Giorgi, conhecido naquela época como uma autoridade em eletromagnetismo.
Por ter morado na Itália quando tinha entre 15 e 16 anos, o físico alemão era fluente no idioma e mantinha uma boa relação com o país. O texto está todo em italiano e foi escrito no verso de um cartão postal assinado por “Suo Einstein” ou “Do seu Einstein”, em português.
Além de falar sobre a criação, Einstein falou ao seu amigo que não tinha dúvidas sobre a validade da teoria da relatividade. A RR Auction espera arrecadar ao menos US$ 55.000, aproximadamente R$ 156.332 com a carta.
Fonte:  Terra

domingo, 21 de setembro de 2014

Fé e Ciência

Os católicos precisam ser mais corajosos para mostrar que a fé e a ciência coexistem, afirma astrônomo papal.

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Os católicos precisam ser mais corajosos para mostrar que a religião e a ciência coexistem diz o astrônomo papal que acaba de receber um dos prêmios mais prestigiados do mundo da ciência.

O jesuíta Guy Consolmagno, que foi homenageado na semana passada com a Medalha Carl Sagan por sua “excepcional comunicação de um ativo cientista planetário”pela American Astronomical Society (AAS), conta que a Igreja não se opõe à ciência e considera o maior equívoco entre dois reinos. Consolmagno é conhecido como “porta voz de uma combinação perfeita entre a ciência planetária e a astronomia de um crente cristão” e uma “pessoa racional que consegue mostrar aos crentes de modo excepcional como a religião e a ciência podem coexistir”.
Renomado escritor e apresentador do programa de rádio da BBC “A brief history of the end of everything” (“Uma breve história sobre o fim de tudo”), Guy Consolmagno é reconhecido ainda pelas numerosas conferências realizadas na América do Norte e Europa, que ajudam a transmitir o entusiasmo pelo método científico a um público mais amplo.
Consolmagno tornou-se jesuíta com quase 40 anos, depois de trabalhar para o Harvard College Observatory, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Peace Corps. Ele credita que sua formação jesuítica lhe permitiu falar sobre a fé mais abertamente. O prêmio será entregue na reunião anual da 46ª Divisão para as Ciências Planetárias em Tucson, no Arizona, em novembro.
O senhor poderia falar um pouco sobre a sua vida, o seu trabalho, e explicar por que foi premiado com a Medalha Carl Sagan?
Consolmagno: Eu sou de Detroit. Eu era um típico garoto baby boom, comecei o jardim de infância quando o Sputnik subiu, assisti o desembarque na lua no meu último ano de colégio. Meu amor pela astronomia vem desde muito cedo, quando fui para a escola jesuíta em Detroit, eu fiz as honras clássicas e escrevi para o jornal da escola. E acabei no MIT com o máximo de interesse em ler (e escrever!) ficção científica como na ciência. No entanto, descobri que fazer ciência era mais fácil do que escrever sobre isso, e então eu fiz um doutorado em astronomia planetária no Arizona e pós-doutorado em Harvard e no MIT. Mas eu continuei me questionando: “Por que ciência, enquanto as pessoas estão morrendo de fome no mundo?” – aqui a educação jesuíta entra forte -. Então parei com a ciência e fui para o Peace Corps. No Quênia as pessoas me mostraram por que estudamos ciência: a curiosidade deles pela astronomia reacendeu meu amor pela ciência; e a ‘fome’ deles para saber mais sobre o universo me fez lembrar que não vivemos só de pão.   Voltei para um emprego de professor, no Lafayette College, na Pensilvânia, e gostei muito, por isso,  decidi entrar para os jesuítas, para ensinar em uma universidade jesuíta. Em vez disso, eles me enviaram para o Observatório do Vaticano em Roma, onde, junto com a minha ciência, eu também faço várias apresentações públicas e trabalhos científicos. Então, meu antigo sonho de ser um escritor voltou depois de tudo.  
De acordo com você, como a Igreja pode mostrar que não se opõe à ciência?
Consolmagno: Não é o que “a Igreja” deve fazer como uma instituição; apoiando-nos no Observatório, a Igreja já está fazendo sua parte. Agora cabe a nós, católicos, que somos também cientistas, fazer a nossa parte. Para começar, temos de ser corajosos o suficiente para falar em nossas paróquias e em outros ambientes católicos, de dizer aos nossos irmãos católicos (e cristãos) sobre como a ciência ou a engenharia nos aproxima do Criador. Eu descobri que não são os cientistas que precisam ouvir sobre religião. Na verdade, a maioria dos cientistas está muito familiarizada com a religião e a proporção de cientistas religiosos praticamente coincide com a proporção de pessoas religiosas na comunidade onde vivem. Mas muitas pessoas religiosas só vêem “cientistas de TV”, que são uma representação da ciência como os “pregadores de TV” são para as pessoas religiosas.

Você pode falar sobre como a religião e a ciência podem coexistir?
Consolmagno: O que nos faz, como seres humanos, diferente dos macacos meramente inteligentes? A nossa capacidade de refletir sobre nós mesmos, o nosso ambiente, o nosso universo, e tomar decisões livres para amar e querer isso ou aquilo. Intelecto e livre arbítrio são atividades da alma; a ciência é o reino onde se manifestam. E por que nós, como cientistas, estudamos ciência? Se é por  fama e glória, ou por dinheiro e poder, então, estamos reduzindo nós mesmos. Mas, se é pelo simples prazer que sentimos quando vemos algo novo e belo no universo, a alegria da descoberta, o sentimento de admiração … então eu afirmo que é o tipo de alegria que nos surpreende na presença de Deus. Deus se manifesta nas coisas que Ele criou: não sou eu que estou falando, mas é uma citação de São Paulo. (Carta aos Romanos)

Você incentivou cientistas católicos a não hesitar em compartilhar o amor pela ciência com suas comunidades. O que exatamente você quer dizer com isso? Você poderia explicar dando um exemplo concreto?
Consolmagno: A paróquia é um ótimo lugar para começar. Um cientista ou um engenheiro poderia trabalhar com programas para jovens ou clubes como os Cavaleiros de Colombo, ensinando astronomia, criando um telescópio no estacionamento da igreja; ou um clube de robô, falando sobre as implicações da inteligência artificial. A paróquia é uma oportunidade para ensinar; os cientistas devem aprender a compartilhar sua paixão e alegria. Até mesmo uma pequena nota sobre a flora e fauna local no boletim paroquial pode lembrar às pessoas que existem cientistas em sua paróquia.

A sua educação jesuíta ajudou você a se sentir confortável para discutir publicamente sobre a fé. Certo? Houve certos momentos que você se sentiu desconfortável para fazer isso?
Consolmagno: Eu sempre tive orgulho de minha educação jesuíta. Além do mais, acho que a reputação de jesuíta (que como a maioria das reputações é exagerado!) abriu muitas portas para mim entre os meus colegas cientistas. Nós somos conhecidos por sermos crentes que não têm medo do mundo; abraçamos o universo, porque encontramos Deus em todas as coisas.

Qual é o maior equívoco que contribui para a noção de que a ciência e a religião não podem coexistir? E isso pode ser esclarecido de alguma forma?
Consolmagno: A “eterna guerra entre ciência e religião” tornou-se um daqueles “todo mundo sabe” factoide – como “Cristóvão Colombo provou que o mundo era redondo” – e nós aprendemos quase por osmose quando crianças, mas que é obviamente falso. Acho que a única maneira de combater isso é dar muitos exemplos de cientistas de verdade, para que as pessoas encontrem por si mesmas, ‘na carne’, argumentos que contradigam a visão eternamente falsa do mundo que nós encontramos na TV e na Internet.  

Por Deborah Castellano Lubov

sábado, 23 de agosto de 2014

Evolução ou criação?

 A ciência natural e a teologia NÃO são campos de conhecimento concorrentes; são, antes, formas distintas e complementares de investigação.

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“Será que o novo papa acredita na evolução?”, perguntou um artigo publicado logo após a eleição do papa Francisco pelo Colégio Cardinalício. A resposta, que pretendia causar surpresa, foi “sim”. E o autor ainda assegurou: “Os católicos, em grande parte, não enxergam o xis da questão”.
Por quê? Porque a Igreja reconhece a existência de um processo evolutivo (Santo Agostinho o sugeriu já no século V d.C.), mas também insiste em afirmar que “o envolvimento de Deus” nesse processo deve ser reconhecidoO darwinismo, por sua vez, afirma que a evolução acontece através da sobrevivência de variações genéticas aleatórias, sem a orientação de nenhum propósito ou desígnio superior. Os comentaristas populares concluem, portanto, que a Igreja Católica não enxerga o xis da questão no tocante à biologia moderna e que a evolução e a criação não podem ser compatíveis.
O ateu e o fundamentalista concordam no seguinte erro de interpretação: o cristão escolhe a crença em detrimento da biologia. É o que Nietzsche chamou de “julgamento realmente cristão da ciência”, ou seja, uma “posição secundária, nada definitiva”. Para o ateu, isto é motivo de repúdio ao cristianismo; para o fundamentalista, é motivo para repudiar a biologia moderna.
Mas é aqui que, em grande parte, os comentaristas populares, e não os católicos, não enxergam o xis da questão: a teologia católica nunca concordou com esse tal “julgamento cristão”!
Os argumentos favoráveis ao desígnio inteligente, populares em especial nos círculos protestantes, assumem que os argumentos teológicos só podem valer quando os biológicos falham, e que a aparência de que existe um propósito na natureza só pode ser explicada pela invocação de um Criador divino, não por um mecanismo científico.
Acontece que, da perspectiva católica, esta é uma falsa dicotomia. O problema não é que Darwin tenha se livrado do conceito de desígnio na natureza: o problema é que as pessoas começaram a acreditar que o desígnio vai ou racha com a ciência natural.
A suposição de que a evolução biológica não tem nenhum propósito ou desígnio não entra em conflito com a teologia, porque é uma resposta a uma questão científica, não teológica. Como Tomás de Aquino enfatizou, muito antes da Revolução Científica, a ciência natural e a teologia não são corpos de conhecimento concorrentes; são, antes, formas distintas e complementares de investigação.
“Por que existe a cadeira?”. Segundo Aristóteles, esta pergunta pode ser interpretada de quatro maneiras diferentes, equivalendo a “Quem fez a cadeira?”; “Para quê?”; “Qual é a natureza dela?” e “De que ela é feita?”.
Cada forma de fazer a pergunta corresponde a uma diferente causa. A palavra “causa”, em grego antigo (aitia), também significa “razão”: a razão pela qual. Confundi-las leva ao absurdo: quando alguém pergunta “Quem fez a cadeira?”, é inapropriado responder “Para sentar-se!”. Cada pergunta pede o seu próprio tipo de resposta. Uma explicação completa, pensava Aristóteles, envolve as quatro perguntas e as suas respectivas respostas.
Que as quatro causas originais possam ser mantidas no âmbito da ciência moderna é coisa controversa. O que Aristóteles chamou de “causa formal”, que corresponde à natureza metafísica de uma coisa, foi atacado no início do período moderno pelos escritos de filósofos como Locke e Hume. Eles achavam que a ciência moderna pode explicar de que uma coisa é feita e quais são as suas leis de governo sem precisar falar muito sobre naturezas metafísicas.
Tenham as causas formais sido banidas ou não da ciência, o que Aristóteles chamou de “causas finais” (“para quê?”) é uma questão muito mais duradoura, pelo menos no campo da biologia.
Galileu, Newton e outros cientistas tinham dispensado o “para quê?” nas questões da física. A ciência moderna parecia capaz de explicar o mundo físico em termos puramente “mecanicistas”, sem recorrer a noções não-científicas como “desígnio” ou “propósito”. Mas muitos resistiram à intrusão da ciência moderna em território biológico.
A razão é que as causas mecanicistas pareceram incapazes de explicar o propósito ou a finalidade (o desígnio) observável ​​na natureza biológica. Os “vitalistas” alegaram que isto se deveu ao fato de a vida ser algo metafisicamente único; mesmo Kant, que não defendia os argumentos tradicionais a respeito de Deus, sugeriu que a natureza biológica indica o desígnio de uma espécie de Criador.
Darwin provou que a ciência moderna pode explicar o desígnio mostrando que ele é ilusório: a complexidade que parece ser marca de um Criador é o resultado final de variações aleatórias durante um longo período de tempo. Assim, banidas da física, as “causas finais” que tinham se refugiado na biologia foram expulsas de lá também.
Mas banir as “causas finais” da ciência não é bani-las de toda forma de explicação. Elas podem continuar a prosperar no domínio metafísico, como de fato continuam.
Darwin só mostrou que a biologia, como oposta, por exemplo, à metafísica, à teologia ou à ética, deve dispensar as “causas finais” como a física fez nos tempos de Newton. Isto só libera os biólogos da necessidade de responder a perguntas sobre o finalismo, deixando-nos livres para ainda lidar com elas se assim quisermos.
O problema não é Darwin, mas a noção moderna de que a teologia só pode discutir o que a ciência não consegue explicar. Porque a ciência não conseguiu explicar a ordem biológica em certo período, as pessoas começaram a acreditar que a ordem biológica estava a salvo do avanço científico. Mas se você professa a sua religião a partir das lacunas do conhecimento científico, você inevitavelmente será esmagado quando essas lacunas se fecharem.
É melhor seguir Tomás de Aquino, que fez uma distinção de natureza entre questões teológicas e natural-científicas.
Tanto a teologia quanto a biologia moderna perguntam: “Por que há seres humanos?”. Mas elas entendem a questão de forma diferente. Para a biologia moderna, a pergunta significa: “Quais são as partes constituintes dos seres humanos?”, “Como e quando os seres humanos entraram em cena?”. E as respostas para essas perguntas (“células e genes” ou “variações genéticas aleatórias ao longo do tempo”) são o que Tomás de Aquino chamou de causas “secundárias”. São explicações mundanas de coisas na natureza, que podem invocar leis probabilísticas, seleção natural ou o que a teoria científica mais recente sugerir de melhor.
Mas a teologia pergunta por aquilo que Tomás de Aquino chama de causas “primárias”: “Qual é a fonte extramundana do ser?”, “Qual é o significado e o desígnio da criação?”. Nem os registros fósseis, nem a seleção natural respondem a tais questões. E não porque sejam ferramentas defeituosas, mas porque não são as ferramentas adequadas para esta tarefa. Confundir questões teológicas e científicas é cometer um erro de categoria.
O conceito teológico de criação não é um conceito científico. O Deus da teologia católica não é, como Agostinho enfatizou, a ignição da existência, mas a sua causa em sentido não-temporal e metafísico. Deus dá origem e sustenta a existência, inundando-a de sentido: tenha o homem vindo ou não do peixe, do macaco ou poeira das estrelas, e sejam ou não probabilísticas as leis que regem essa evolução.
São os ideólogos contemporâneos do cientificismo os que “não enxergam o xis da questão” no tocante à evolução. A evolução não refuta Deus, assim como o electromagnetismo não refuta a consciência moral. E o papa Francisco não é o primeiro a reconhecer isso.
Fonte: Aleteia

segunda-feira, 2 de junho de 2014

“CSI: Jesus de Nazaré”

A crucificação vista por um legista.

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O legista José Cabreras descreveu as lesões sofridas por Jesus de Nazaré desde o momento de sua prisão até sua morte na cruz, analisando a documentação da época e as imagens do Santo Sudário, e recolheu suas conclusões no livro “CSI: Jesus de Nazaré. O crime mais injusto”.
Cabreras assegurou que escolheu para seu livro, publicado pela Neverland Edições, esse título chamativo, que inclusive é o nome de uma famosa série de TV americana, “para que o público se aproxime da descoberta da figura de Jesus” e saiba como foi sua morte desde um triplo enfoque: legista, criminológico e judicial. Em inglês a sigla CSI significa “Crime Scene Investigation”, em português: Investigação da cena do crime, na qual os personagens são legistas e agentes da lei que conduzem suas investigações segundo os rastros deixados nos lugares do crime e nas evidências nos corpos das vítimas.
Mesmo sem um cadáver pode-se realizar efetuar uma “análise legista retrospectiva” baseada em testemunhos e na documentação da época, como os Evangelhos e outros textos apócrifos, e nas imagens do Santo Sudário, cujo valor “ninguém jamais desmentiu”, disse o legista.
A documentação histórica romana estabelece que desde a prisão até a morte de Jesus na cruz transcorreram 24 horas, e que, uma vez crucificado, sobreviveu duas horas, quando alguns crucificados duravam inclusive vários dias, sinal, segundo Cabreras, da intensidade das torturas prévias às que foi sujeito.
Um capacete repleto de espinhos
As punções em todo o couro cabeludo assinalam que não foi uma coroa mas uma espécie de capacete denso de espinhos que Jesus levou na cabeça, espinheiros que, segundo Cabreras, os legionários romanos não tiveram trabalho para procurar, porque eram os mesmos utilizados para acender o fogo e que haviam em abundância na região.
O manto, guardado na cidade de Turim, Itália, evidencia que o nariz de Cristo tinha fraturado por um golpe e o ombro direito esfolado pelo peso do patibulum, a parte horizontal da cruz, cujo peso era entre 40 e 50 quilogramas, pois os crucificados não transportavam toda a cruz, a parte maior, vertical, permanecia cravada no chão, à espera do crucificado.
Segundo os estudos, a flagelação foi realizada ao estilo romano, com um flagelum, um látego que partia de um pedaço de madeira e cujas caudas terminavam em bolas de chumbo.
300 marcas de flagelo
A lei proibia golpear com este látego a cabeça ou outros órgãos vitais para provocar sofrimento, mas não a morte, de modo que Jesus, que recebeu cerca de 300 impactos dessas bolas de chumbo –o triplo do que era permitido na lei judia–, já tinha várias costelas fraturadas quando tomou o ‘patibulum’ sobre os ombros e subiu o calvário.
Ambos os joelhos foram esfolados até a rótula pelo efeito das quedas e o peso do lenho da cruz.
Os pregos atravessaram os pulsos de Cristo passando entre os ossos, enquanto que para os pés, postos um sobre o outro, usou-se um único prego que entrou pelas impigens, local onde o pé é mais largo.

Segundo Cabreras, habitualmente se atava os crucificados e os pregos, por serem muito caros, reservavam-se para “ocasiões especiais”.
O centurião da guarnição romana, antes de abandonar o lugar do sacrifício, tinha a missão de assegurar-se de que o crucificado estava morto para garantir que ninguém o tirava da cruz com vida. Por isso, no caso de Jesus a lança atravessou o coração de baixo para cima e da direita à esquerda.
As Sagradas Escrituras narram que brotou água e sangue desta ferida e a ciência corrobora o fato.  “A água era o soro que costuma rodear o coração quando a agonia se prolonga durante horas”, explicou Cabreras.

Descumprimento nas leis
O legista realiza ainda uma análise criminológica dos elementos que acompanharam as torturas e outro judicial de “saltos” que se deram no processo entre as duas leis vigentes na Palestina, a romana e a judia, com o propósito de prejudicar o réu.
“Pilatos, ao final, não teve nenhum elemento objetivo para condenar Jesus, e o condena por razões políticas”, concluiu.
Cabreras recordou que foi no século XX, ao Papa Pio XII, que o cirurgião, Pierre Barbet, descreveu as lesões e os sofrimentos de Cristo desde o ponto de vista científico, e assegurou que o Papa chorou ao admitir: “Nós não sabíamos, ninguém jamais nos relatou (a Paixão) desta maneira”.
Fonte: 
www.comshalom.org/

“TEORIA” da evolução?

* O que a Igreja Católica pensa da “TEORIA” da evolução?

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A Igreja não é contra a teoria da evolução, desde que seja entendido que esta evolução foi querida por Deus, programada e executada por Ele. A Igreja também não abre mão de que a alma humana, imortal e racional, é criada diretamente por Deus e colocada na pessoa no instante da sua concepção, quando o óvulo feminino é fecundado pelo sêmen masculino.
Dentro dessa ótica, a Igreja aceita a teoria do início do mundo a partir do Big Bang, a grande explosão que teria dado inicio ao universo hoje conhecido. Mas o que é o Big Bang?
No início do século os astrônomos começaram a mapear o Universo, e descobriram que as galáxias pareciam estar se afastando da Terra com velocidades cada vez maiores, de modo que quanto mais longe estivessem tanto maior era a sua “velocidade de fuga”. Era como se os grupos de galáxias fossem partes de uma explosão acontecida a bilhões de anos. Daí nasceu a teoria do Big-Bang (grande explosão), segundo a qual o Universo começou a partir dos fragmentos desta gigantesca explosão.
A partir das velocidades relativas, observadas nas galáxias mais distantes, a época da explosão foi calculada em aproximadamente 15 bilhões de anos. Uma matéria ultra-comprimida teria explodido numa nuvem de energia e partículas elementares, aquecidas a uma temperatura inimaginável de bilhões de graus Celcius. Dentro desta esfera havia apenas fótons e nêutrons comprimidos de modo tal que um litro dessa matéria pesaria bilhões de toneladas e tinha a temperatura de 1015 (= 1 seguido de 15 zeros) graus C. Essa esfera teria explodido, jogando no vazio a matéria com a velocidade da luz.
Apenas um centésimo de segundo após essa grande explosão, a temperatura descera a 300 bilhões de graus C; os fótons e os nêutrons se condensaram em elétrons e núcleos, dando origem a uma massa de hidrogênio incandescente, que aos poucos foi se condensando em galáxias de estrelas. No interior das estrelas, a cerca de 20 milhões de graus, esse hidrogênio foi se transformando em hélio, num processo de combustão que liberava enormes quantidades de energia. Em seguida, num complexo processo de evolução química, esse hélio se converteu em outros elementos (oxigênio, carbono, nitrogênio, ferro…), que se encontram nas estrelas.
Alguns bilhões de anos após a explosão inicial, originaram-se as estrelas, os planetas, os asteróides e os satélites que constituem o nosso sistema solar e o universo inteiro. Sabe-se hoje que o espaço é perpassado por um campo de radiações, que têm a temperatura de 2,7 graus absolutos (270 graus centígrados abaixo de zero). Essas radiações são o resíduo da radiação muito mais intensa e quente que devia perpassar o universo nas suas fases iniciais de existência. Por efeito do processo de expansão devido ao big-bang inicial, a radiação eletro-magnética originária teve que diminuir a sua temperatura até chegar hoje, 15 bilhões de anos depois, a uma temperatura próxima do zero absoluto.
A presença dessa radiação, que perpassa o universo e que é prevista pela teoria do big-bang, poderia ser a prova mais convincente desta teoria, que ainda não é aceita por todos os astrônomos e físicos. Um pequeno grupo acredita que o Universo é eterno, isto é, não teve começo e nem terá fim. É a teoria do estado constante. A fé não aceita esta teoria, pois a eternidade do Universo faria dele um Absoluto, um Deus. Só Deus é eterno; só Deus não teve começo e não terá fim. O eterno é perfeito; não evolui, como o Universo evolui, teve início e terá fim.
Para os físicos modernos, a melhor explicação da origem do universo está na teoria do Big Bang, que tem sido estudada exaustivamente; e a Igreja não a desaprova, desde que se considere o que foi dito acima.
Prof. Felipe Aquino